segunda-feira, 8 de setembro de 2025

Livro 26 Sem Alma

 Sem Alma


Poesias


Ateu Poeta/ Amadeu Nuvem/ Aroldo Historiador




1

SEM ALMA

Não tenho alma, calma nem religião
Mas, poesia em um coração
Que canta na terra e no mar
Vivo a voar por multiversos  

Essa é a minha imortalidade
Entre o sonho e a realidade
Salve a literatura com toda a trivialidade
Que eleve a cultura e guarde

Para gerações além
Porque só faz sentido viver
Se deixar algo para alguém
E que seja conhecimento

Ou mesmo encanto
Sem o qual o sonho não vive

Ateu Poeta
30/04/2014

2
SANGRIA

A arte é sangria
Vazio, excessos e calafrios
Que se coadunam com a gente
E daí quebram em catarse 

Sobretudo a poesia
Nela jogamos a bagagem
Toda a sinfonia interior
Terror, paixão, ilusão e dor

Tenor, soprano e contralto
Autocontrato e franquia
Superação de toda a tristeza 
Firmeza que vem sem razão

Escravo que se faz rei
Aprendiz vira sensei 

Ateu Poeta
16/09/2014

3
EU NUNCA VI O TEMPO

Eu corri atrás do Tempo
Que fugia de mim
Quase me afoguei
Fui jogado no jardim

Já fui atropelado
Corri pelado no telhado
Fiquei no travesseiro ajoelhado
Joguei futebol com dedão esfolado

Já fui reprovado e talvez meio pirado
Também já me apaixonei
Toquei, dancei e cantei desafinado
Só nunca encontrei a minha highway

E hoje o Tempo ainda corre demais
Não adianta correr, não adianta ir atrás

Ateu Poeta
16/09/2014

4
ABISMOS FENÍCIOS

O instinto destrói toda a sanidade
Cria falsa saciedade do vício
Não obedece às leis da sociedade
Nos joga em abismos fenícios

A verdade não é aforismo da razão
Porque é absoluta
Independe das mentiras dos homens
Com seus deuses cruéis

Uma vez em Esparta e seus cartéis
Melhor ser lutador nos quartéis
Todo mar preso gera imensa maré
Força contida vira onda de explosões

Pressão é a prova
Nada nunca mudou

Ateu Poeta
04/09/2014

5
FACA NAS MÃOS

Vip, top, pop; reis do presidencialismo
Mapas astronômicos vistos como astrológicos
Levam ditadura por comunismo
Captam ilógico capitalismo

A sombra serve a todos
Os tolos se viciam no Sol
Engolem isca e anzol
Os famintos morrem pela boca

Money monologa, molda o mundo
Homologa moda, muda e semente
Serpente da traição e ostracismo
No abismo não há corrimão

Amigos não mentem assim
Com faca nas mãos

Ateu Poeta
28/08/2014

6
TAUTOLOGIA

Só penso em repetições
Tautologia do traço
Por isso os desenhos que faço
Não são mais do que frações

Odeio Matemática
E toda coisa enigmática
O mistério me distrai
A paralaxe o paradoxo atrai

O ortodoxo a cultura trai
Por não saber recriar
Hipérboles serão sempre pequenas
Ante as verbenas do mundo 

Moro numa bila que gira azul na galáxia
Graças ao blue do carbono

Ateu Poeta
20/08/2014

7
A BRISA BROTA

Não colho margaridas nessa amarga vida
Sou só beija-flor 
A voar por aí sem amor 
Entre rosas coloridas 

O mundo é um grande jardim 
De espinhos daninhos e labirintos 
Gatos mortos no corinto 
Da brisa brota o jasmim 

Sempre em busca do néctar 
É simples a minha missão 
Coração em constante pressão 
Com a pressa do amante a detectar 

O aroma mais inebriante 
No fascinante sorriso do mar 

Ateu Poeta 
18/08/2014

8
O MENESTREL

Só falo de mim
Porque o pouco que sei
Não diz nada
Uma parábola errada

Nesse paradoxo mundo
Poeta ortodoxo
Preso em paralaxe
Qual o preço do progresso?

Seria perder a rima?
Abandonar o soneto?
Deixar de ser menestrel?
Talvez esquecer as perguntas

 E os sonhos ao léo
Será  a vida ávido quartel?

Ateu Poeta
2014

9
COMPLETA CONTRADIÇÃO

Você é o vazio do meu coração
O refrão desta canção
Toda a minha contra-mão
Luar, magia e sedução

Razão sem direção
O dia na escuridão
Saudade que invade alçapão
Corrói a condição

E me deixa flechado sem madeixa em mão
Porque a vida voa em vão
Destino: Desafino; desatino, então
Completa contradição

Até a rima se foi na boca do desamar
Na maresia daquele olhos que não me verão jamais

Ateu Poeta
2014

10
PALCO E RIBALTA

Quando quebrou o meu violão
Lembrei que não gostava da minha voz
Mas pegava na minha mão
Meu amor, não cante mais

Hoje não sou capaz de lhe escutar
Desafino em cordas afinadas
Para novas alvoradas
Serenatas ao luar

O lobo voltou a uivar
E sonhar com outros planetas
Jogo bobo de ilustrar
Palco, ribalta e maçaneta

Caneta, canaleta na labuta
Porque todo filho da pátria vai à luta

Ateu Poeta
2014

11
O PIANISTA

Meu piano não fez planos de te amar
Mas, aconteceu, sei lá por que 
E o dia parecia fenecer se sumias
Ou a noite prosperar e florescer

Se surgias com girassóis de aquarela
Na lapela eu punha o Sol
Para o arrebol do teu olhar
Consagrar para mim um sorriso salutar

Mas, nada de sagrado havia
Então, desafinado, o instrumento decaía
E minhas mãos trêmulas de cafeína
Não podiam mais tocar senão esquemas

Em mesas de bar, Bach esqueci
Assinei a ruína que escrevi

Ateu Poeta
2014

12
ADEUS SEM DESPEDIDA

Você arrancou meu coração
Depois jogou fora
Tudo não passava de ilusão
Por isso eu fui embora

Morri mil vezes pra tentar renascer
Mas foi tudo em vão
Rede de mentiras e armadilhas
Caos e armação

Maçã na estrada
Está podre ou comida
É continuar a jornada
Um adeus sem despedida

O violão é minha espada
Cantar a minha vida

Ateu Poeta
15/05/2014

13
 
Insaciável

O mundo é regido por números, não leis
Caça: a sede que não sacia
Seria a compulsão a perdição dos reis
Em que todo homem se vicia?

Por que esse ser é destruidor
E tão artificial
Não se adapta ao seu redor
E faz tudo ser banal

Mata a quem diz amar
Derruba mata
Polui mar
Suja o ar quer respira

Depois pira para restaurar
O que não tem solução?

Ateu Poeta
14/07/2014

14
VOCÊ NÃO SABE DE NADA

Sua mulher se faz de santa, mas é muito atraente
Anda toda empinadinha e é toda pra frente
Diz que faz academia, mas vai pro portão da frente
Com você é muito fria, mas é muito carente

Até roda a bolsinha e sai com o tenente
E jura que é santinha porque já virou crente
E seu amigo decente rouba até o Satanás
E você acha que aqui se paga o que se faz

Você ainda faz fita de inteligente
Pensando que sabe mais que muita gente
Mas é só um arrogante qualquer
Não sabe nem da sua mulher

Você não sabe de nada
"Sabe de nada, inocente"

Ateu Poeta
10/07/2014

15
O CARNAVAL

Todo dia a mesma coisa
A mesma coisa todo dia
Sempre te vejo, Maria
Sempre te vejo, Maria

Todo dia, tudo igual
Até parece ritual
Eita, que vida banal!
Eita, que vida banal!

O vício é o escape desse desastre astral
Enquanto tudo vai mal
Enquanto tudo vai mal
E esse tédio vem sem remédio tal

Mas, já chegou o carnaval
Mas, já chegou o carnaval

Ateu Poeta
07/07/2014

16
LÁ MUSIQUÊ

Música é a musa suprema
Banhada em alfazema mais fina
Com adrenalina nua, extrema, sensual
Faz ritual na lua

Penetra o olho cego dos teus ouvidos
E o outro dos teus ossos
Relembra, então, os dias sofridos
Olvida teu ego e dilacera

Narciso não tem tez, voz, vez
Três vezes negarás porque és pedra
Que o muro de Epicuro não ceda
Ao edro da modernidade leviana

Seda se rasga na cama
Mas o mundo não vive sem ela

Ateu Poeta
07/07/2014

17
SORTE SAFADA

Se  o amor for essa dor
Que vá para o inferno
Faz do verão inverno
Et cetera e tal 

Com suas flores do mal
Amálgama da desertificação
Terremoto, furacão, erupção
Teorema que destrói o coração

A cabeça já não pensa de amargurada
A mente fica demente e cansada
A vida não é um conto de fadas
Morte e liberdade moram na estrada

A sorte é uma moça safada
Que arrasta tudo para o meio do nada 

Ateu Poeta
05/07/2014

18
SOL SEM CALOR

Pacoti, Pacoti
Sem ti não me sinto feliz
Como águia sem asa
Criança sem casa

Sou árvore sem raiz
Cor sem matiz
Condoreiro sem amor
Poeta sem musa

Poe sem terror
Gelo em brasa
Sol sem calor
Paulo Coelho sem plagiar

Renato Russo sem cantar
Golfinho fora do mar

Ateu Poeta
3/06/2014

19
LOBO DA NOITE

Branco lobo da noite
De olhos azuis
Quando a vida é açoite
Sob o encontro da luz

Traçar o próprio caminho
É o que se traduz
Em cada espinho
Alga e alcaçuz 

Estou sempre a uivar
É na lua que miro
O encanto do mar
É meu retiro

Desejo é deserto, desatino
Sigo incerto, sem destino

Ateu Poeta
30/06/2014

20
CORRENTE DA PAIXÃO

Eu estou sempre aqui
E você com outro qualquer
Tentei até desistir
Mas o coração não quer

Vou me afastar, enfim
Para não sofrer em vão
A vida segue assim
Quimera da ilusão 

Não dá para fugir
Porque a dor aperta mais
Essa corrente de paixão
É pura Alcatraz 

Vou me libertar dessa miragem sem razão
Oásis neste lugar é caverna de Patão

Ateu Poeta
27/06/2014

21
VÁ SE CATAR

Chega de pitaco, mané
Vá pastar, seu chato
Saí pra lá, qual é?
Não enche o saco!

Quem encosta em arame farpado
Sabe que vai se cortar
Por isso, amigo, aviso
Vá se catar!

Cuide da sua vida, malandro
Não venha na via que traço
Melhor sair do caminho
Não espere pra ver o que eu faço

Vá se catar, vá se catar
Vá se catar, caboré, vá se catar

Ateu Poeta
25/06/2014

22
O PRÓXIMO SÉCULO

No próximo século
Ninguém lembrará
Deste historiador
Ateu Poeta sonhador

Que a terra engolirá
Talvez seja uma época científica
Onde só existam céticos
Todos mais ímpios do que eu

Ou o contrário total
Onde nada vale ser dialético
E um homem sem religião
Não tenha valor agregado

A corrupção ainda seja chamada
De mistério sagrado e amor

Ateu Poeta
21/01/2014

23
A FÉ CEGA

E daí se a tua fé cega?
A razão não se entrega assim
Nada agrega uma ilusão a mais
Aqui jaz um mero zumbi

Não me faz cair a tua vã tentação 
Uma mente sã suporta o vazio
Uns gostam de frio outros de calor 
Mas nem tudo é vapor ou calafrio

Nem é sólida a solidez da solidão
Ou as páginas dos livros sagrados
Que torturam a mente dos embriagados
Com a falsidade chamada mistério

Qual o critério para o tal pecado?
Batistério, cartão e gado

Ateu Poeta
18/01/2014

24
A ÚLTIMA PORTA

Só os versos sobrarão
Quando o sol estiver ido
Nos verdes ventos sem dono
O até mais não fará sentido

Sob o mar infindo de escuridão
Nunca mais haverá clarão
Nenhuma dor
Nada sofrido

Um frio magma fenecido
Que fora lava
Lava o chão de carbono
Já não importa se é verão

Ou se a Terra suporta o outono
Estará fechada a porta

Ateu Poeta
10/01/2014

25
ANDROID MORTO

Os próprios problemas é que movem a tecnologia
Abjeto objeto do quebranto
Sem acalanto
Viral

É tudo feito para quebrar
Antiartesanal
Antítese da ciência
Inconsciência industrial

A rapidez é mais importante
Que a durabilidade
Apreço ao preço da pressa
E não à sustentabilidade

Assim se move a sociedade
Moldada feito peça

Ateu Poeta
08/01/2014

26
ASAS ILÓGICAS

O mesmo caos da suposta destruição
Mas, que na verdade só reconfigura
Faz com que brotem criaturas
Que nenhum desenhista faria

Por maior poder e euforia
Que o mito da fé lhe desse
A evolução apetece a sobrevivência
Perpetuação das espécies

Em meio à guerra do carbono
Que para manter a vida devora
Depois devolve para o ciclo
Da fusão nuclear à radiação 

Explosões químicas e biológicas
A beleza criou asas ilógicas

Ateu Poeta
07/01/2013

27
PACOTI: SERRA DE BATURITÉ

A felicidade é a diversidade
Que existe aqui
Neste cume de serra
Que se chama Pacoti

Passarada a galope
Sem a qual não existo
Brutal é a saudade 
Que sempre sinto disto

A natureza
Remete à leveza da razão
Os sem nobreza no coração
Soltam fogos

Fazem barulho
Por política ou por igreja
Espantando a qualidade
A verdade e a beleza

Por um imbecil orgulho
O silêncio da humanidade
É o templo da sabedoria
Pois, somente calando a euforia

É que existe sanidade
Pena que nesta cidade
Também mora a poluição
Derrubam a mata

Jogam dejetos no rio
A estação de esgoto
É um tremendo desvario
Só coleta, não trata

Contrato descumprido pela CAGECE
Aí quando vem enchente
Ninguém sabe do que adoece
O Teatro São Luís

Da escola desvinculado
Virou Secretaria
De Educação
Mas, está acabado

Deteriorado assim
Daqui a pouco cairá
E o tráfico de drogas
Também veio para cá

O Arquivo Público
O segundo do Ceará
Está reaberto
E por Lei Federal

Nem poderia fechar
Ainda lhe falta 
Um novo diretor
E merece bem mais

Que um só trabalhador
A Capelinha
O Cenotáfio
Donaninha Arruda

É um dos prédios tombados
Que a prefeitura não ajuda
Os que não valorizam a História
Quebram tudo por lá

Até turista tem dó 
Daquele lugar
Que deveria ser
Um ponto de visitação

Com um ou dois guardas
Que também dessem explicação
Esta terra tem tanto artista
Poeta, letrista, compositor

Pintor, artesão, cantor
Dançarino, capoeirista, ator
Até um escritor
Pertencente a 8 academias

Uma delas internacional
Mas, não recebeu honrarias
Em seu torrão natal
Espero que o novo prefeito

Que assumirá em janeiro
Deixe o meu município
Mais direito
Ecológico e inteiro

Ateu Poeta
25/12/2016

28

Historiadores
Poetas
Jornalistas
Professores

Têm o dever de lutar
Quanto mais esclarecido
Mais ácida a bílis 
No estampido

Sem limites da razão
Faz prosperar
Não se escondam!
Venham!

Enquanto ainda é cedo
Com todas as #DEFORMAS

Tenta nos formatar
O nosso ego
Já conseguiu 
Triturar

Desfazendo os diretos
De expressão
Difusão
Informação

E trabalhistas
Mas, quando vejo
Com seu cajado de Moisés

A abrir o mar vermelho
Da minha mente
Sinto, assim, a verve
Que tanto ferve

E ainda está latente
Ele não é valente
Cada veia começa a pulsar

Falar com esses guerreiros
Companheiros
Faz meu coração corar
E quando um dia

Eu puder fazer
Mais do que poesia
Para lutar, eu farei
Sem pestanejar

Ateu Poeta 
22/12/2016

29

Para a esperança vencer o medo mais uma vez
É preciso gritar #FORA_TEMER
A plenos pulmões
Com a força de um tenor

Um trator infrator 
Ninguém atropela
A gente vira
O agente do mal está infiltrado

É hora de arrancar suas pressas
Com a pressa de quem tem fome
Com suas balas, blindados e canhões

Se o clamor não bastar
Ainda podemos vomitar
Na cabeça
Desses ladrões

Ateu Poeta
22/12/2016

30

Fere mais para sair

Do que para entrar
E uma vez instalada
É fatal
Pois cria

Internas coagulações
De forma tal 
Que para escapar
Com vida

É preciso ser
Incisivo na ferida 
E, de forma brutal 
Fazê-la sangrar.

Ateu Poeta 
22/12/2016

31
DADAÍSMO JURÍDICO

A lei pela lei
É tão parnasiana
Dadaísmo jurídico
Pérolas de porcelana

Calunga com enfeite
A reger uma nação
Falsamente laica
Ladra e fascista

Manipuladora
Mequetrefe
Magarefe
Masoquista

Curinga da patifaria
Câncer calculista d'euforia
Destruidora, noite e dia
D'adutora d'alforria

Ateu Poeta
21/12/2016

32
GROTESCAS OBSERVAÇÕES

Uns me criticam
Dizem que não tenho ego
Outros esbravejam 
Que tenho ego demais
Em resposta às duas visões antagonistas
Digo que são dispensáveis
As suas observações
Em órbita 
Ecos teatrais
Desobservantes
Dissonantes
Arrogantes
Delirantes
Como personagens de Cervantes
Quixotescas
Tão grotescas
Quanto o Inferno de Dante
Impossível não ter ego
Uma vez que "ego"
Significa "eu"
E negar a si mesmo 
Somente na ilusão a esmo
De ser niilista
O que não condiz em nada
Com ser ateu
É só pensamento aforista
De quem desrespeita o artista
Ou jamais o leu

Ateu Poeta
20/12/2016

33
UM PAÍS DECADENTE

A palavra é a arma que tenho
Por isso que eu tanto escrevo
Com tamanho empenho
O desempenho se é pleno

Vocês é que irão dizer
Não sei se nos canalhas
Consigo fazer doer
É o meu modo de defender

A nobre democracia
Que essa elite esnobe
Rói noite e dia
Cada um tem que escolher

A sua linha
Para bater de frente
Com intensa harmonia
Eles derramam o sangue

Da população
Nós falamos
Fora cambada!
E fazemos canção

Fora Temer
Calheiros
Moro
E Dallagnol!

Estudantes guerreiros
Apanham no rol
O Sol da liberdade
Os ratos encobriram

Pensam que nos pegam
Com um simples anzol
A fachada do Power Point
É uma grande furada

Têm Estados Unidos
Por trás da jogada
O Cunha é só a mão
O resto escapou

Desse sistema corrupto
Em mais um grito de gol
Na goela desce o pacote do mal
Com balas e cassetetes

Pedaços de pau
A chuva de canivetes
Começou a cair
Muitos foram cegados 

Mas não irão desistir
Resistir é a palavra de ordem
São 20 anos de peia
É o fim da picada

Porrada
Fogo
Cadeia
Aqui se ateia 

Essa destruição
Tudo o que os podres querem
É trair a nação
E roubar com acordos

Adornos pra lá e pra cá
Batendo panelas
A justiça comprar
O Supremo cruzou os braços

Com o rabo preso
O preço do retrocesso 
Só milionário
Sairá ileso

Para quem não conhece a miséria
Ela baterá na porta
Morderá a língua
A burguesia tão porca

Que olha de cara torta
Para benefícios e cotas
Não será tão jocosa
A pobreza para as cocotas

Janotas tão mauricinhos
Os dândis achacadores
Conhecerão de perto
O jardim dos horrores 

Apanharão em seguida

Dos mesmos ditadores
Serão infratores
Quando for tarde demais

Entenderão que o homem
É o seu próprio Deus e Satanás
E quem foi tão audaz
Em aplaudir opressores

Terá que encarar
Franco-atiradores
A Globo encobrirá
Como faz no presente

De veraz só a voraz
Tropa ardente
Sem escutar os ais
Deste país decadente

Ateu Poeta
17/12/2016

34
DIVINA INSPIRAÇÃO

Metade de mim é paixão
Loucura, poesia e canção
Aquela vontade de voar
Esquecendo Gaza

Fugir de casa ao luar
A outra parte 
Não é arte
É pé no chão

Renega toda a ilusão
Enxerga a tragédia grega
Explode a caverna de Platão
Fica de plantão ao Sol

Com toda a sobriedade
Que invade o seio do arrebol
Sobre o mar
Sem altar

Reino da escuridão

Solidão
No meio da multidão
A lápide do escorpião

Tempestade de vulcão

Trovão
Furacão
E maremoto

Terremoto

No Haiti e no Japão
Jardineiro da rosa de Hiroshima
Bikini, Síria e Afeganistão

Jonas, Copérnico, Galileu

Tântalo, Aquiles, Prometeus
Perseu ateu no Coliseu
Zagreus mergulhado no Queronte

Mas, tu que és a fonte

De toda a razão
Deusa que me faz sangrar
Corando até pensamento 

Atenais, Ísis, Psiquê

Daymon, sem a qual
Todo suspiro
É mero delírio 


Lírio que respiro
Calor d'aliteração
Sedução
Monte onde me atiro

Sublime sinfonia de Vênus
Safári de safiras
Maestria de constelação
A mais completa inspiração

Ateu Poeta

16/12/2016

35
O VENENO DA LOUCURA

Não serei aquele
Que age com envergador
Criando círculos concêntricos
Para não morrer de dor

Quem bebeu o veneno da loucura
Dirá  que o melhor é ditadura
Que a doença é o que cura
Sem nenhuma lisura

A inflação vem socorrer
Os bandidos
Que estão no poder
Para sempre garantidos

Querer o melhor
É tratado como se fosse paixão
O fim tão previsto
Eu nunca vi

São tantos vagões
De um mesmo trem
Quem lutar além
Dirá: sobrevivi

São patos
São PECs
Volta ao pau-a-pique
Os ladrões do Brasil

Vivem dando chilique
Querem ir à Disney
Pois são extremos de chique
Ladram desde o pau-brasil

O seu ódio é tão vil
Massacram professores
Atiram em estudantes menores
Que nem são infratores

Ao povo chamam de vândalos
Um povo injustamente pela História difamado
Nenhum rival por eles
Jamais fora dizimado

O papel registra as mentiras
Dos mais fortes
A verdade permanecerá velada
Enquanto a vítima calada

Morre de fome ao relento
Ou por puro espancamento
Com ou sem lamento
Balas e bombas ao vento

O inimigo dos tiranos
É o conhecimento
Enquanto os imbecis latem
Contra quem lhes deu a mão

Aplaudem Cunha e Calheiros
Chamam Dallagnol e Moro de guerreiros
E se mascaram de Japonês da Federal
A direita mastiga os direitos

De toda uma nação
Devorando quaisquer perspectivas
De melhoria para o cidadão
Propagam que para sair do buraco

Com sabedoria fina
Têm-se que cavar mais
Até o caos do cais
Sair na China

Onde haverá outra medicina
Com ostracismo, cinismo e lentidão
Meritocracia, hipocrisia e imensa ilusão
E que a crise é culpa do aposento

Daí, ninguém mais estará isento
De trabalhar feito um jumento
Para manter o PSDB
DEM e PMDB

A trilogia do mal
Da ganância descabida
Em Maçonaria embebida
Sangrento e macabro ritual

Ateu Poeta
14/12/2016

36
TEMPLO PASSIONAL

Eu nunca quis te ver partir
Ou te sentir fenecer
Mas, devo me despedir
Tenho que sobreviver

Tudo o que faz sofrer
Traz loucura e ilusão
E a vida é curta
Pra se morrer de paixão

O Universo sempre dá
Mil voltas sobre si
E a revolta não fará
O tempo diz "merci"

O que foi não volta mais
Amargo templo do jamais

Ateu Poeta
14/12/2016


37
AI-18: ATO INSTITUCIONAL EUNÍCIO OLIVEIRA

O tiro está dado
E é de fuzil
Na boca das crianças
Na cabeça dos pobres

E no seio do Brasil
Eu não sei o que se passa
Na mente
Desse Congresso imbecil!

Que só mente
Política demente
Nem tente entender 
Bando de parasitas

Ratazanas no poder
Ardilosas e esquisitas
O Brasil é um grande queijo
O fedor só aumenta 

No bolso dos banqueiros
Arqueiros que flecham 
O dinheiro quase inteiro
Do Produto Interno Bruto

Anual 
Tudo em favor 
Desse sistema capital
Que a tudo menospreza

Exceto o que não tem valor algum
Falam tanto de Deus
Mas, não importa se você é ateu
Espírita, cristão, judeu

Ou filho de Ogum
O peso no seu pescoço 
É o mesmo
Tanta luta a esmo

Para esses bandidos
Darem outro golpe
Alguns patos paspalhos
Já estão arrependidos

Mas, a maioria é cega
E ainda se nega a aceitar
O que se está a ceifar
Quem mais comete sonegação

Promete
Com hipocrisia de ladrão
Prender quem rouba mais
Mas, só aos desfavorecidos

É que não deixará em paz
Mesmo após o aqui jaz
Nossos descendestes
Sentirão, estridentes

O ranger do dissabor
Saberão na prática
Que fim deu essa tática
Suicida do pavor

PEC 55, antiga 241
É de Eunício Oliveira
Rasteira desse porte
É pura PEC DA MORTE

AI-18, Ato Institucional
Para provar que a ditadura
Não é nenhum carnaval
Tem mais desgraça no arsenal

Mas, já passou a principal
Com rapidez fenomenal
O povo perdeu de vez
Toda a sua altivez

Ateu Poeta
13/12/2016

38
POETISA

Poetiza
Minha
Vida
Poetisa

Festa
Que atesta
O Feitiço
Festival

Carnívoro
Surreal
Shangri-La
Carnaval

Que São Paulo
Quer acabar
Na rua
Da Lua

Mona
Lisa
Que desliza
Na lição

O coração
Na produção
Se faz
Canção

Sem proporção
Estrela
Vespertina
Felina

Menina
Coralina
Cora
Desatina

Perseu
Desceu
Mora
Agora

No museu
Já se perdeu
Feito
Um frágil

Fariseu
Na esquina
Casual
Frenética

Do litoral
Que frisa
A Brisa
Sepulcral

A fera
Dilacera
A longa
Era espectral

Já não há
O mesmo ar
Celestial
Ritual

À espera
Da quimera
Que alitera
A esfera

Lituânia
Literária
Libertária
Literal

Sorumbática
Asmática
Aquática
Magmática

Estância
Estática
Instância
Na entrância

Asiática
Politeística
De querer
Guiar

Distância
Salutar
Discordância
Intolerância

Com a arrogância
A lutar
Doce
Dose

Dissidente
De dissonância
Ao deus
Dará

Poesia
Engrenagem
Grená
Fantasia

Anestesia
Com corpo
De mulher
Sinestesia

Alegria
Alegoria
Ao meio
Dia

Será
A inspiração
Mera
Euforia

Que a meditação
Não alivia?
Mesmo
Medicação

Afetaria
Medo
À explosão
Faria

Sumiria
A rima
Pobre
Até

Apareceria
Sem
O poema
Perecer

Como
Seria?
A fascinação
A florescer

Passarinho
A cantar
Sobre
A catarse

Do meu
Ninho
El niño
A glaciar

Ateu Poeta
11/12/2016

39
DELÍRIO DISSONANTE

O instinto é que me faz sonhar
A insanidade está na dor
Há fascinação sob o luar
A ilusão finge esplendor

Quando o seu olhar 
Pousa no meu
De parapente ou planador
O meu coração tão fariseu

Esquece que é plebeu
Vira condor
O céu é seu 
No arpoador

A felicidade
Equidistante
É diamante fino
Encantador

Caro
Raro
Delirante
Dissonante

Irradiante
Feito o seu corpo
De bacante
Sedutor

O seu abraço é abrigo
Embora inimigo da razão
Líbia, Líbano, Libido
Biquíni, Berlin, Japão

O seu sorriso desperta a liberdade 
Tempestade que invade 
A mais segura mansidão
Em plena a frialdade da cidade

Água
Fogo 
E jogo 
Na arena da paixão
Ateu Poeta
05/12/2016

40
FERREIRA GULLAR

Poesia enterrada
No tom mais profundo
Não é o poema que é sujo
É o mundo

Entre o trema
E o morfema
Houve o terror
De morrer no exílio

Terrível dissabor
Provado por muitos
Na passada ditadura
A saudade é mais dura

Portugal o premiou com louvor
Uma estrela se apaga
No seio azul do Brasil 
Já tão abalado

Por tanto golpe vil
Grande mestre
De pena imortal
Que pena que foi

Mas vive o ideal
Não parará o protesto
Nem a construção
Sob qualquer pretexto

Manifesto 
Viva a revolução!
Seja na arte
Ou na vida

Na TV
No jornal
Que não se cale
O dever visceral!

Fenomenal
Exemplo de escritor
Patriota 
E guerreiro

Sem a menor pretensão
De ser
Foi pioneiro
Reconhecido

Como merecido
A vanguarda nunca morre
A literatura é armadura
Escuto e espada

Jornada de fato sem fim
Cada um luta como pode
Ou como a ideologia manda
De pessoal demanda

Na caneta
Na baioneta
Na escopeta 
Ou no clarim

Inventar é a grande façanha
De um pensador intrínseco 
Sem planos acabados
Já que não existem sentidos nem pecados

Negando ser triste
Sem bengala de misticismos
Fez de si um gigante
Em fragmentos e aforismos

Ateu Poeta 
05/12/2016

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